TJ-RJ: Cresce o número de Adoção de crianças brasileiras por estrangeiros
24 de setembro de 2013
O casal de italianos Copola, 42 anos, e Angela, 39, tinha um sonho: formar uma família. Da pequena comuna de Nocera Inferiore, localizada no sul da Itália, os dois vieram ao Brasil e conseguiram encontrar nos irmãos Bruno (10), Cesar (8) e Natan (4) a felicidade tão desejada. Nesta segunda-feira, dia 23, os últimos detalhes para a adoção das três crianças foram acertados pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
‘Resolvemos adotar crianças brasileiras porque são alegres, católicas, cheias de vida’, diz Copola sobre a vida que começou a ser construída entre eles no início deste ano. Ele e a mulher se inscreveram num programa internacional de adoção, coordenado por entidades internacionais, que articularam com o Ceja a busca de crianças adotáveis.
O surgimento da família foi uma espécie de amor ‘antes da primeira vista’: teve início sem mesmo seus integrantes terem se conhecido, ou sequer fotos das crianças serem vistas. Quando souberam que havia três irmãos brasileirinhos que poderiam ser adotados, os futuros pais adotivos aceitaram de imediato. Só depois viram os retratos das crianças. E se encantaram ainda mais.
O pouco tempo de convivência contrasta com o intenso afeto que os pais sentem pelos filhos, e vice-versa. Angela conta que já consegue entender o que os três falam, e que o idioma não é obstáculo. ‘Bruno já escreve frases em italiano sem errar’, orgulha-se a mãe, que define cada um dos três filhos com uma palavra. ‘Bruno é o mais sensível, Cesar é muito esperto. Natan é um típico Copola, tem personalidade forte’, derrete-se.
Bruno conta que não vê a hora de morar com a nova família. ‘Quando os conheci, fiquei muito feliz. Está tudo muito legal na minha vida, na nossa vida’, diz apontando para os irmãos menores. A maior dificuldade, segundo ele, será trocar o Flamengo pelo Napoli, clube pelo qual o pai torce. Mas quando se lembra de que poderá ver de perto craques do futebol italiano, como Kaká e Robinho, a tristeza passa rápido.
O coordenador do Ceja, desembargador Antonio Iloízio, diz que a comissão ultrapassa o âmbito jurídico e conta com uma equipe multidisciplinar, capaz de atender e aproximar famílias e crianças. ‘Cenas como esta são o coroamento do nosso trabalho. A gente faz questão de divulgar casos como este para estimular famílias do Rio a fazerem o mesmo’, afirma o magistrado.
Adoção internacional
A adoção internacional foi realizada porque se esgotaram as possibilidades de Bruno, César e Natan de serem adotados por uma família brasileira. De acordo com o Ceja, 90% dos casais estrangeiros que procuram o TJRJ são de italianos. E o Brasil só contempla adoções internacionais com países que assinaram a Convenção de Haia.
Em média, o processo de adoção leva um ano. Para adotar uma criança no Brasil, os estrangeiros precisam comprovar condições financeiras e psicológicas para criá-la.
No dia 1º de outubro, a família parte para a Itália para começar uma nova vida. Nos próximos dois anos, o casal de pais terá que enviar relatórios semestrais contando como está a adaptação da criança. ‘O período pós-adoção é fundamental para sabermos como está a ambientação das crianças com a nova família’, diz o desembargador Antonio Iloízio. Pela alegria e entrosamento da nova família, todos estão muito otimistas.
FONTE:TJ-RJ
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